Entre deuses e homens
A linguagem mitológica produz narrativas que servem para explicar muitos aspectos da sociedade humana, principalmente, sobre as relações existentes e valiosas entre deuses e homens.
As narrativas mitológicas apesar de os
deuses nem sempre serem os protagonistas, é raro que não exista a ativa
participação de alguma divindade. De certo modo, tais relatos são textos
religiosos para os gregos e os romanos, mas não os são[1].
Cumpre distinguir, inicialmente dois
tipos de religiões, tais como as politeístas (de muitos deuses) e a monoteístas
(a de um só deus). Lembremos que tanto a religião grega como a romana eram
politeístas e, estabeleceram entre homens e deuses relações completamente
diferentes nas religiões monoteístas tais como o judaísmo, cristianismo e o
muçulmanismo. A primeira religião a adotar o monoteísmo foi zoroastrismo[2], fundada pelo profeta
Zoroastro, na antiga Pérsia.
A Organização das Nações Unidas (ONU) (para
a Educação, a Ciência e a Cultura) declarou no ano de 2003 como o ano de
celebração dos 3 000 anos da religião e cultura zoroastriana, numa iniciativa
proposta pelo governo do Tajiquistão.
Independentemente do tipo de devoção,
toda crença é considerada religião desde que ultrapasse a dimensão humana,
ligando-a a uma forma superior. Mario Sérgio Cortella diferencia religiosidade
e religião, afirmando que a primeira é o sentimento da espiritualidade,
enquanto a segunda é a reunião de pessoas que têm esse mesmo sentimento,
praticando-o em conjunto. Todas as sociedades humanas têm religiosidade, porém,
algumas não desenvolveram uma religião estruturada em torno de construções e
livros. Na trajetória histórica da humanidade, há registro de períodos em que a
Igreja e o Estado detinham o poder, ao contrário do que atualmente pois, a
maioria dos países adota hoje o Estado Laico, ou seja, desmembrado da religião.
Diferente é a religião budista que é não
teísta, portanto, não tem um deus. E, defende os ensinamentos de Buda e
praticam a meditação e a ioga para se galgar a plena libertação. Os
mesopotâmicos eram politeístas, isto é, acreditavam em vários deuses, e entre
esses, estava o Enki, o deus da água doce, considerado também o deus da
sabedoria. Bem como outros povos da Antiguidade os mesopotâmicos construíram
grandes templos que representavam a morada dos deuses na Terra, e eram
localizados em posição destacada na cidade e recebiam todas as cerimônias
religiosas.
Também os egípcios eram politeístas e
seus deuses tinham formas humanas e de animais e, acreditavam em vida após a
morte, e, por isso, os ritos funerários eram muito importantes.
E, acreditava-se que a morte era uma
passagem e que, depois desta, as almas iriam para um tribunal comandado por
Osíris, o deus do mundo dos mortos, no qual enfrentariam um julgamento. Os
gregos acreditavam em vários deuses.
Porém, os deuses gregos tinham
características e comportamento semelhantes aos humanos, com as mesmas qualidades
e defeitos. A diferença era que as divindades eram imortais, muito poderosas e
estavam ligadas a um aspecto da natureza ou da vida humana. Zeus, por exemplo,
era o deus que comandava o céu, Poseidon reinava sobre os mares e Hades era o
senhor do mundo dos mortos.
De acordo com as crenças monoteístas,
Deus é o criador do homem, dos homens e do universo inteiro que é, enfim, sua
obra e depende destes. E, quando o deus se dirige aos homens, sua palavra é
revelada em textos sagrados tais como a Bíblia e o Alcorão (Corão).
Tanto o Alcorão como a Bíblia são
equiparáveis, há entre ambos escritos conexões e diferenças. São escrituras reveladas,
e o seu conteúdo é constante o de adorar um único Deus e submeter-se à sua
vontade. Trazem a cristalização da palavras de Deus que descende em épocas
diferentes até os profetas.
Vale a pena destacar que Adão, Noé,
Abraão, Aarão, Jesus e Maria são figuras que também aparecem no Alcorão, ainda
que suas histórias não coincidam exatamente com as do relato bíblico.
A crucial diferença entre ambos quanto
ao ensinamento se refere a figura de Cristo. Pois, no Alcorão, Jesus é
considerado um profeta, predecessor de Maomé[3]. Mas, não são reconhecidos
como Filho de Deus.
O Espírito Santo, por exemplo, para o
cristão, é o Espírito de Deus, a expressão do amor existente entre Pai e o
Filho. Já no Corão, o Espírito é emanação divina, não fazendo parte da sua
própria natureza.
Enfim, para o Islã, o Alcorão é palavra
revelada por Deus e, o profeta Maomé é somente seu transmissor, porque essa
palavra fora ditada integralmente pelo próprio Deus. Enquanto para o cristão, a
palavra de deus é uma pessoa, o Verbo que é encarnado em Jesus, é a Palavra de
Deus feita pelo homem e, não um livro. E, o Novo Testamento nos transmite essa
Palavra viva mediante o testemunho dos apóstolos.
O Alcorão é composto de cento e quatorze capítulos ou suras e foram revelados por Maomé em língua árabe, ao longo de vinte e três anos. Comparando-se com a Bíblia, sua extensão total equivale a quatro quintos do Novo Testamento. A Bíblia, etimologicamente, é um conjunto de livros, que foram escritos em diferentes línguas tais como hebraico, aramaico e grego e, também, por autores diferentes, ao longo de cerca de mil anos (900 a.C., a 100 d.C.). E, reúne gêneros literários muito variados (históricos, orações, poesias e, etc.).
É a vinda de Jesus Cristo o
acontecimento que divide a Bíblia em Antigo Testamento (história do povo
hebreu) e o Novo Testamento (vida, morte e ressureição de Jesus). O
cristianismo aceita em boa parte a Bíblia hebraica como parte de sua história,
enquanto os muçulmanos acreditam que o conteúdo de ambos os testamentos
desfigura a revelação original.
Também são diferentes como são lidas as
escrituras sagradas, pois o católico enxerga a Bíblia[4] como história da salvação
e, o muçulmano vê o Corão como a "palavra eterna e incriada" e,
portanto, não pode ser alterada nem minimamente.
Ambos os textos religiosos foram
traduzidos para inúmeras línguas para tornar seu conteúdo compreensível e, nos
atos de culto, a Bíblia é usada na língua própria de cada povo. Já o Alcorão só
utiliza o árabe, a língua de Deus, daí ser tão relevante a recitação dos textos
nos atos cerimoniosos.
Também quanto à interpretação destes
textos, há diferenças. Pois para os estudiosos muçulmanos, os comentários ou
tafsir se centram na história do texto. Sendo de vital importância a ordem da
revelação de cada sura, isto é, o contexto em que foi revelada dentro da vida
do profeta, já que influencia poderosamente em sua interpretação. Tais
comentários abrigam diversas interpretações e, somente os ramos
fundamentalistas que consideram apenas uma única interpretação.
Ao contrário disso, a exegese bíblica se
centrou em determinar os princípios e normas que devem ser aplicados nesta
interpretação. Revelados por Deus, mas compostos por homens, os textos bíblicos
possuem dois significados diferentes: o literal e o espiritual. Portanto, é
vital sublinhar que sua unidade radica no espírito que a inspirou e sua leitura
deve ser realizada no contexto da tradição viva da Igreja.
Etimologicamente a palavra
"religião" tem dúbia origem no latim, podendo, em diferentes
instantes dentro da obra do filósofo Agostinho de Hipona, significa reeleger ou
religar. Existe consenso, porém, na adoção desse derradeiro significado, ou
seja, de religar ou re ligare.
Numa imersão etimológica, novamente, o
vocábulo "religião" é nascido como produto histórico de nossa cultura
ocidental e sujeito a alterações ao longo do tempo, portanto, não possui um
significado original ou absoluto que poderíamos reencontrar.
Ao contrário, portamos a conceituação,
com finalidades científicas, que conferimos sentido ao conceito. Tal
conceituação não é arbitrária: deve poder ser aplicada a conjuntos reais de
fenômenos históricos suscetíveis de corresponder ao vocábulo “religião”, extraído
da linguagem corrente e introduzido como termo técnico.
Pelo Dicionário Aurélio, por exemplo, a
religião surge como restabelecimento do elo rompido entre os seres humanos e
Deus e, na tradição cristã, tal noção faz melhor sentido, pois o pecado
originar rompeu a natural ligação existente entre os homens e o ser supremo,
devendo, o homem buscar restabelecer esse elo.
Seita, por sua vez, segundo o Dicionário
Aurélio, deriva do termo latim secta, que significa seguidor. Geralmente, uma ou mais pessoas fundam uma
seita quando passam a divergir do pensamento tradicional e acumulam seguidores
dessa nova forma de pensar.
As seitas podem estabelecer-se no âmbito
religioso, político, moral e até filosófico (os antigos filósofos gregos
fundaram seitas, nas quais os seus discípulos eram os seus seguidores).
Até mesmo Jesus Cristo fundou uma seita,
pois os seus apóstolos passaram a segui-lo e o que veio em seguida foi uma
ruptura com a religião judaica, que era o credo religioso comum aos habitantes
das redondezas de Jerusalém e da Galileia. (In: PORFÍRIO, Francisco.
"Diferença entre religião e seita"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/religiao/diferenca-entre-religiao-seita.htm
Acesso
em 30 de agosto de 2021).
Religião é também um conjunto de
princípios, crenças e práticas de doutrinas religiosas, baseadas em livros
sagrados, que unem seus seguidores numa mesma comunidade moral, chamada Igreja.
A irreligião consiste em ignorar ou
descrer radicalmente da religião e de seus dogmas, sendo uma postura de
ceticismo prático, a irreligião é uma posição de distância e desprezo do
fenômeno religioso e de suas doutrinas.
A
irreligião é o afastamento da Igreja, da religião ou dos seus ensinamentos, a
indiferença enquanto a existência de Deus e o valor da religião.
O
budismo[5] é provavelmente a maior de
todas as religiões minoritárias do Brasil. O número relativamente grande de
seguidores é devido, principalmente, a grande comunidade japonesa brasileira.
Cerca de um quinto da comunidade é seguidora do budismo. Ramos budistas japonesas, como o Budismo de
Nitiren (mais notavelmente aSoka Gakkai), Jodo Shinshu e Zen são os mais
populares.
A Constituição Federal brasileira
vigente consagra como direito fundamental a liberdade de religião, apesar de prescrever
que o Brasil como um país laico. Com isso, significa que, consoante a vigente
Constituição Federal, o Estado deve se preocupar em proporcionar a seus
cidadãos um clima de perfeita compreensão religiosa, proscrevendo a
intolerância e o fanatismo. Deve existir uma divisão muito acentuada entre o
Estado e a Igreja (religiões em geral), não podendo existir nenhuma religião
oficial, devendo, porém, o Estado prestar proteção e garantia ao livre exercício
de todas as religiões.
A confessionalidade ou a falta de
confessionalidade estatal não é um índice apto a medir o estado de liberdade
dos cidadãos de um país. A realidade nos mostra que tanto é possível a
existência de um Estado confessional com liberdade religiosa plena (v.g., os
Estados nórdicos europeus), como um Estado não confessional com clara
hostilidade aos fatos religiosos, o que conduz a uma extrema precariedade da
liberdade religiosa (como foi o caso da Segunda República Espanhola).
Apesar de haver separação quase que
total entre Estado e Religião, não impede que tenhamos em nossa Constituição
Federal algumas referências ao modo como deve ser conduzido o Brasil no campo
religioso.
É válido o ensinamento de Soriano de que
o Estado tem o dever de proteger o pluralismo religioso dentro de seu
território, criar as condições materiais para um bom exercício sem problemas
dos atos religiosos das distintas religiões, velar pela pureza do princípio de igualdade
religiosa, mas deve manter-se à margem do fato religioso, sem incorporá-lo em
sua ideologia. (in: SORIANO, Ramón. Las liberdades públicas. Madri:
Tecnos, 1990. p. 84.)
A liberdade religiosa foi expressamente
assegurada uma vez que esta liberdade faz parte do rol dos direitos
fundamentais, sendo considerada por alguns juristas como uma liberdade
primária.
Para o Professor Régis Jolivet, da
Universidade Católica de Lyon, o vocábulo religião pode ser entendido em um
sentido subjetivo ou em um sentido objetivo. Subjetivamente, religião é
"homenagem interior de adoração, de confiança e de amor que, com todas as
suas faculdades, intelectuais e afetivas, o homem vê-se obrigado a prestar a
Deus, seu princípio e seu fim". Objetivamente, religião seria "o
conjunto de atos externos pelos quais se expressa e se manifesta a religião
subjetiva (=oração, sacrifícios, sacramentos, liturgia, ascise, prescrições
morais)". (In: JOLIVET, Régis. Vocábulo de filosofia. Tradução de Gerardo
Dantas Barreto, Rio de Janeiro: Agir. 1975).
A liberdade de religião engloba, na
verdade, três tipos distintos, porém intrinsecamente relacionados de liberdades:
a liberdade de crença; a liberdade de
culto; e a liberdade de organização religiosa.
E, segundo José Afonso da Silva, entra
na liberdade de crença "a liberdade de escolha da religião, a liberdade de
aderir a qualquer seita religiosa, a liberdade (ou o direito) de mudar de
religião, mas também compreende a liberdade de não aderir a religião alguma,
assim como a liberdade de descrença, a liberdade de ser ateu e de exprimir o
agnosticismo. Mas não compreende a
liberdade de embaraçar o livre exercício de qualquer religião, de qualquer
crença...". (In: SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional
positivo. 5ª ed. rev. e ampl. de acordo com a nova Constituição. São Paulo:
Revista dos Tribunais, 1989. p. 223).
Esclareça-se que a liberdade de religião não
está restrita à proteção aos cultos e tradições e crenças das religiões
tradicionais (católica, judaica e muçulmana), não havendo sequer diferença
ontológica (para efeitos constitucionais) entre religiões e seitas religiosas.
O critério a ser utilizado para se saber
se o Estado deve dar proteção aos ritos, costumes e tradições de determinada organização
religiosa não pode estar vinculado ao nome da religião, mas sim, aos seus
objetivos. Se a organização tiver por objetivo o engrandecimento do indivíduo,
a busca de seu aperfeiçoamento em prol de toda a sociedade e a prática da
filantropia, deve gozar da proteção do Estado. (In: KONVITZ, Milton R. Fundamental
liberties of a free people: religion, speech, press, assembly, 2. ed. New
York: Cornell University Press, 1962. p. 5).
Reforçou Pontes de Miranda ao afirmar
que se tem questionado se na liberdade de pensamento caberia também a liberdade
de pensar contra certa religião ou religiões. E, nas origens, o princípio não abrangia
essa emissão de pensamento, tendo posteriormente sido incluído neste,
alterando-se lhe o nome para "liberdade de crença", para que se
prestasse a ser invocado por teístas e ateus. Enfim, concluiu, que a liberdade
de religião é liberdade de se ter a religião que se entende, em qualidade, ou
quantidade, inclusive de não se ter. (In: PONTES DE MIRANDA, Francisco
Cavalcanti. Comentários à Constituição de 1967 com a Emenda n. 1, de 1969. 2.
ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1974. v. 5, p. 123).
Nos derradeiros duzentos anos,
cogitou-se frequentemente sobre a crise e decadência de religiões formais. E,
no século XIX, tanto o movimento científico como os grupos socialistas
cogitaram em agonia das expressões religiosas formais. E, ainda há um sonoro
coro de filósofos, políticos e cientistas que apregoava, no princípio do século
XX, que não haveria espaço para as religiões formais ou mesmo para Deus no
mundo de grande progresso científico que já se anunciava.
Foram dissonantes e diversas as vozes
que afirmava ora a morte de Deus (Nietzsche), ora o colapso de uma instituição,
tal como a Igreja Católica. Mas, para surpresa geral, os séculos XX e XXI foram
consideravelmente marcados pelo ressurgimento de crenças e práticas religiosas
em todo mundo. Então, as Igrejas católicas, protestantes, ortodoxas e, nos
países remanescentes da antiga URSS, mesquitas na Indonésia, templos na Índica
indicaram o referido florescimento das religiões.
É crescente o desafio para entender,
adequadamente, o objetivo e função de crenças e práticas religiosas que
desempenham papel decisivo na construção nas subjetividades, sociedades e,
principalmente, nas culturas contemporâneas.
O judaísmo é a religião dos hebreus que
viveram no Oriente Médio na Antiguidade, é a mais antiga crença monoteísta.
Segundo o judaísmo, Abraão havia recebido uma revelação de um deus único, chamado
de Javé ou Jeová. E, obedecendo uma ordem divina, Abraão teria guiado o povo
hebreu da Mesopotâmia para Canaã, a terra prometida, território atualmente
correspondente a Palestina.
O judaísmo[6] é fundamentado no Torá que
é o livro sagrado que contém os mandamentos referentes a todos os aspectos da
vida, tal como a família, o trabalho, a alimentação e as obrigações religiosas e,
é lido nas sinagogas, centro judaicos de culto e instrução.
A Torá ou Bíblia Hebraica corresponde
aos cinco primeiros livros do Pentateuco – Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e
Deuteronômio, e constitui também a primeira grande parte da Bíblia Cristã, ou
Antigo Testamento. Embora, não haja identificação clara do autor, a teologia
atribui a escrita da Torá à Moisés, o profeta escolhido para libertar o povo de
Israel da escravidão do Egito, segundo a tradição.
Na Bíblia Hebraica, são estudados textos
selecionados da Torá, escritos entre o século XVIII AEC (antes da era cristã) e
o século I EC (era cristã). Os livros narram a história de população judia
israelita desde sua origem como grupo familiar, passando por tribos e monarquia
até chegar à escravização deles pelo Egito e posterior libertação.
Os relatos tratam das crenças judaicas,
sua visão de mundo e história religiosa e devido a importância desses escritos,
a Bíblia é o conjunto de livros mais lido, traduzido, copiado, interpretado e
reinterpretado do mundo.
A Torá compõe os 5 primeiros livros do livro sagrado da religião judaica e tem origem no termo hebraico[7] Yará, que significa ensinamento, instrução ou lei. É considerada um guia para os judeus, com 613 mandamentos que ensinam como devem ou não agir, seja nas relações sociais, familiares, religiosas, por exemplo.
A Torá conta desde a história da criação
do mundo por Deus, até a chegada do povo judeu em Israel e a morte de Moisés no
monte Nobe. É composta por cinco livros e são equivalentes ao pentateuco, os
cinco primeiros livros da bíblia cristã. São eles:
Bereshit, conhecido também como Gênesis; Shemot,
conhecido também como Êxodo; Vayikrah, conhecido também como Levítico; Bamidbar,
conhecido também como Números; Devarim, conhecido também como
Deuteronômio[8].
Existem dois tipos de Torá: a escrita,
onde constam os 613 mandamentos escritos, e a oral, que é o conjunto de
instruções que ensinam como cumprir os mandamentos da Torá escrita.
Dentre esses 613 mandamentos, 248 são
considerados os ensinamentos positivos, que guiam o povo judeu ao que deve ser
feito e os outros 365 são ensinamentos considerados negativos, que os instruem
ao que não deve ser feito.[9]
Os judeus consideram que Moisés escreveu
a Torá através dos ensinamentos do Deus de Israel, passados diretamente para
ele. Essa revelação de Deus a Moisés aconteceu 50 dias após a libertação do
povo judeu da escravidão que sofriam no Egito.
Os ensinamentos que compõe a Torá, foram
enviados por Deus à Moisés no alto do Monte Sinai, durante o êxodo do povo
judeu, que aconteceu entre 1300 e 1250 a.C.
Durante cerca de 400 anos, os hebreus
(antepassados dos judeus) foram escravizados no Egito e, libertos com a ajuda
de Moisés, peregrinaram no deserto em direção à Terra Prometida por Deus, onde
construiriam sua nação, que se chamaria Israel.
Segundo a tradição judaica, Deus falou
diretamente com Moisés, quando este subiu no topo do chamado Monte Sinai, onde
ficou por 40 (quarenta) dias e 40 (quarenta) noites recebendo os novos
ensinamentos que Deus queria passar ao povo judeu.
Os dez Mandamentos[10] ou os 10 Ditos. São eles:
1. Eu sou o Eterno teu D' us que te tirou do Egito; 2. Não terás outros deuses
e estátuas diante de mim; 3. Não jurarás no nome de D'us em vão; 4.Lembrarás e
respeitarás o dia do Shabat; 5.Honrarás teu pai e tua mãe; 6.Não matarás; 7.Não
cometerás adultério; 8.Não roubarás; 9.Não darás falso testemunho; 10.Não
cobiçarás.
Devarim, o último livro do Torá,
discorre sobre os últimos sermões de Moisés ao povo judeu. Nele se fala como
Moisés recapitulou toda a peregrinação do povo no deserto até chegar à Terra
Prometida. Moisés também lembra ao povo sobre os 10 (dez) Mandamentos e a importância
de segui-los para a conquista da Terra e sobre a misericórdia de Deus com o
povo, mesmo diante da desobediência.
Nos últimos capítulos, a Terra prometida
é conquistada pela nova geração de judeus. Moisés, então, morre no monte Nebo e
é sucedido pelo profeta Josué, escolhido por Deus para orientar os judeus em
seu lugar.
Enquanto a Torá compõe os ensinamentos
de Deus ao povo, o Talmude é um livro judeu composto pelos sermões, debates e
discussões entre os rabinos, líderes da religião judaica, quanto aos
ensinamentos que eram dados na Torá oral.
São as instruções e leis seguidas pelos judeus, o Talmude auxilia na
compreensão e interpretação desses ensinamentos.
O Talmude foi criado porque os
ensinamentos eram passados ao povo judeu[11] através da Torá oral. E,
ao discutirem sobre essas instruções, os rabinos temiam que o conteúdo dessas
conversas se perdesse. Por isso, decidiram escrevê-los, formando o Talmude.
Os cinco livros que compõe a Torá fazem
parte da Bíblica Hebraica e também estão presentes na Bíblia Cristã. Porém, na
Bíblia Cristã é nomeado de Pentateuco, fazendo referência aos 5 (cinco)
primeiros livros do Antigo Testamento. São eles: Gênesis; Êxodo; Levítico; Números;
Deuteronômio.
A Torá é escrita em hebraico com alguns
trechos em aramaico, a língua nativa dos judeus. Já a bíblia cristã já foi
traduzida integralmente do hebraico e do grego para mais de 400 (quatrocentos)
idiomas.
O Novo Testamento da bíblia cristã não é
aceito pelo judaísmo. Isso porque essa parte da bíblia cristã conta a história
de Jesus Cristo, que para os cristãos é considerado o messias prometido por
Deus. Para o judaísmo, Jesus Cristo é um falso messias, já que o povo judeu
ainda aguarda a vinda do messias prometido por Deus.
O Novo Testamento da bíblia cristã não é
aceito pelo judaísmo. Isso porque essa parte da bíblia cristã conta a história
de Jesus Cristo, que para os cristãos é considerado o messias prometido por
Deus. Para o judaísmo, Jesus Cristo é um falso messias, já que o povo judeu
ainda aguarda a vinda do messias prometido por Deus.
A Torá ou Bíblia Hebraica corresponde
aos cinco primeiros livros do Pentateuco – Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e
Deuteronômio -, e constitui também a primeira grande parte da Bíblia Cristã, ou
Antigo Testamento.
Tohráh também é uma palavra usada para
falar das leis dadas a Israel sobre um assunto específico. Por exemplo, é usada
para falar sobre “a lei [tohráh] da oferta pelo pecado”, “a lei para a lepra” e
“a lei a respeito do nazireu”. — Levítico 6:25; 14:57; Números 6:13. Tohráh às
vezes se refere a instrução e ensinamento dos pais, dos sábios ou do próprio
Deus. — Provérbios 1:8; 3:1; 13:14; Isaías 2:3, nota.
O conjunto de regras da Lei de Moisés.
(Êxodo 24:3) A Lei tem mais de 600 regulamentos. O mais conhecido deles é a
Shema ou confissão judaica de fé. Um trecho da Shema diz: “Ame a Jeová, seu
Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua força.”
(Deuteronômio 6:4-9) Jesus disse que “esse é o maior e primeiro mandamento”. —
Mateus 22:36-38.
O nome Jeová, que aparece umas 1.800
vezes. A Torá não proíbe usar o nome de Deus. Pelo contrário, ela tem
mandamentos que exigiam que o povo de Deus falasse seu nome. — Números 6:22-27;
Deuteronômio 6:13; 10:8; 21:5.
O Talmud Babilônico, em tempos remotos,
os sábios da Torá estudavam a Lei Oral para, a seguir, fazer a análise de seu
trabalho através de discussões. Após ter
sido compilada a Mishná, tais discussões – que se tornaram conhecidas como a
Guemará – serviram para esclarecê-la.
A Guemará foi transmitida oralmente e preservada durante cerca de 300 anos após ter sido escrita a Mishná[12]. Quando surgiu claramente o perigo de que a Guemará fosse esquecida, os dois maiores eruditos da época sobre Torá – Ravina e Rav Ashi – redigiram a Guemará por escrito. Com a ajuda de seus discípulos, nas academias de ensino da Babilônia, Ravina e Rav Ashi coletaram e ordenaram todas as discussões que compunham a Guemará. Esta compilação da Guemará – que incluía a Mishná – tornou-se conhecida como o Talmud Babilônico ou, em hebraico, Talmud Bavli. Foi finalmente publicado no ano de 4265 (505 a.C.).
O Talmud, que literalmente
significa "estudo" ou "aprendizado", é, portanto, composto
da Mishná – um livro de Halachá (lei judaica) escrito em hebraico – e da
Guemará – o comentário sobre a Mishná, que foi escrito em aramaico/hebraico.
O Talmud Babilônico foi aceito pelo povo
judeu como a autoridade máxima e suprema em todas as questões sobre a religião e
a lei judaica. As leis da Torá só têm vínculo legal se forem baseadas no
Talmud.
Diferentemente, os politeístas tais como
os gregos e romanos não imaginam um deus criador de todas as coisas. Mesmo Zeus[13] ou Júpiter apesar de ser
divindade muito importante não foi o criador do mundo. Zeus também estava
submetido à ordem do universo, tais como os outros deuses e como seres humanos
ou reles mortais.
Os mitos não transmitem a palavra de
deus apenas contam a história de um mundo em que vivem deuses e homens. Se é
possível cogitar sobre religião a propósito da mitologia, é porque as
narrativas que a compõem mostram as relações entre os homens e os deuses
levaram a compreender como cada ser deve se comportar.
Realmente, a religião grega propõe que
cada um permaneça em seu lugar, assim, basicamente os deuses, no lugar dos
imortais e os homens no seu lugar de mortais. E, o maior erro que um mortal
poderia cometer, era se considerar um deus.
Portanto, a consciência de finitude e
faliabilidade era credencial muito relevante. Assim, conta a mitologia a
história de Ícaro[14] que desejou, voando subir
à mesma altura que o deus Sol[15]. E, acompanhando sua
aventura, assistimos como os deuses o fizeram o jovem insolente ao seu lugar.
Porém, na ordem do mundo, igualmente não
era bom que os deus interferissem demais nos assuntos dos homens. No poema
Ilíada[16] de Homero contou que,
durante a Guerra de Troia, os deuses do Olimpo brigavam quase tanto quanto os
gregos e os troianos naqueles épicos tempos e campos de batalha. Porém, isso
não agradava a Apolo que entendia que tais disputas entre deuses eram muito
inconvenientes.
Posêidon o desafiou para um duelo e,
ainda, segundo Homero, Apolo respondera, o seguinte, in litteris: “Se eu
aceitasse lutar com você pelos homens, por essa pobre raça que cresce e murcha
como folhas de árvore, você teria todo o direito de me chamar de louco e de
entender que perder o senso da medida!”.
Enfim, para os antigos havia, em suma, a
terra, o céu, os homens e os deuses, e, cada um devia conhecer o seu lugar e
ficar nele para cumprir seu destino. Essa é a narrativa poética da mitologia
grega que expressa tanta sabedoria, segundo a qual, para além das desordens e
das violências do mundo, existe uma harmonia profunda, constituída de beleza e
equilíbrio. E que é tão inspiradora para a construção de obras-primas de
harmonia e equilíbrio que povoaram os templos gregos.
Os deuses olímpicos eram,
tradicionalmente, doze. Mas, se fizermos as contas encontraremos quatorze e, em
duas gerações. Para melhor entender tamanho mistério, basta saber que Posêidon
e Hades, embora fizessem parte da família, não moravam no Olimpo[17]. Pois, o primeiro reinava
sob o mar enquanto o segundo. Sob a terra, mas, são realmente da família e,
participavam assim, como seus irmãos, sobrinhos e, ainda, conselheiros.
Portanto, mesmo não vivendo no Olimpo, merecem assim como os demais o nomen de
“deuses olímpicos”.
A mitologia grega foi, em grande parte
adotada pelos romanos. Porém, isso não significa que as populações locais, da
região que é hoje a Itália, não tivessem deuses nem heróis, muito pelo
contrário.
As lendas inventadas pelos gregos eram
tão numerosas e cheias de imaginação poética que os romanos transpuseram para
seus próprios deuses, que conservaram seus nomes originais, mas se tornaram
muitos gregos quanto ao seu comportamento.
Para abordar os amores de Zeus seria
necessária uma obra inteira. Para um deus tão poderoso que governava o mundo,
amar mulheres e fecundá-las significava, enfim, afirmar e assegurar a
perpetuação de seu poder. Foram inúmeros os filhos de Zeus, fossem deuses ou
heróis e que o ajudavam sempre na luta que travou contra antigos deuses, as
divindades ctonianas[18], aparentemente submetidas
a ordem olímpica, mas não perdiam a oportunidade de questionar a soberania do
novo senhor do universo.
Adiante, completo rol contendo os nomes
das mulheres mais célebres e amadas por Zeus e dos filhos que conceberam, a
saber:
Calisto (ninfa), Arcas (herói); Deméter
(deusa), Perséfone(deusa); Egina (ninfa), Éaco (herói); Hera (deusa), Hefesto,
Ares Ilítia e Hebe (deuses); Leto (deusa), Apolo, Artêmis (deuses); Maia
(ninfa), Hermes (deus); Métis (deusa), Atena (deusa); Mnemósine (deusa), Musas
(divindades secundárias); Plotas (ninfa), Tântalo (mortal); Taígeto (ninfa),
Lacedêmon(herói); Têmis (deusa), Moiras (divindades secundárias).
Três dessas divindades foram legítimas esposas de Zeus. Mas, seria uma sorte invejável? Questiona-se, pois, afinal Métis fora engolida pelo próprio esposo e, a segunda Têmis, fora repudiada e a terceira, a Hera[19] fora constantemente traída e padecia de enorme ciúme.
Já entre as mortais, as mulheres foram:
Alcmena que gerou Herácles (herói divinizado; Dânae, Perseu (herói); Europa
(Minos, Padamento, Sarpedão, todos mortais); Io, Épafo (herói); Leda (Pólux,
herói divinizado e Helena, mortal); e, por fim, Sêmele que gerou Dionisio
(deus).
As narrações mitológicas mesclam a
história de deuses e a dos homens. Afinal, nas festas, lutas, na vida cotidiana
ou ocasiões especiais, os deuses estavam sempre presentes.
Ora, eles acompanhavam os homens, os
ajudando ou ora os castigavam[20], mas sempre interferindo
em seus destinos. Chegou-se até imaginar que os deuses e deusas podiam casar-se
com mortais e, que dessas uniões raramente legítimas, nasciam homens metade
deuses e metade humanos e, que eram chamados de heróis.
Assim temos Aquiles, Héracles, Enéias,
Rômulo que eram heróis em linha direta, ou seja, o pai ou a mãe era um deus ou
deusa. Em outros heróis, precisava-se voltar várias gerações até localizar o
ancestral divino.
No fundo, a cada talento ou qualidade
humana havia a origem divina, a inspiração transcendental capaz de tornar
especial, os mortais que aprenderam a arte da superação.
Referências:
BARROSO, Maria Macedo. ABRANTES, Carla
Susana (Orgs.). Antropologia, cooperação internacional e processos de
formação de Estado: entre práticas de governo e práticas da política. Rio
de Janeiro: Associação Brasileira de Antropologia, 2020.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia.
São Paulo, Ática, 2000, p. 161-3.
DA SILVA, Eliane Moura. Religião,
Diversidade e Valores Culturais: conceitos teóricos e a educação para a
cidadania. Rever - Revista de Estudos da Religião. nº2/2004/pp. 1-14.
Disponível em: https://www.pucsp.br/rever/rv2_2004/p_silva.pdf Acesso em 30.8.2021.
SCHERKERKEWITZ, Iso Chaitz. O Direito de Religião no Brasil. Disponível em: http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/revistaspge/revista2/artigo5.htm Acesso em 30.08.2021.
Notas:
[1]
A mitologia grega e romana surgiu da curiosidade dos gregos e romanos tinham de
explicar a origem da vida e os problemas da existência humana. E, assim,
criaram deuses imortais à semelhança do ser humano. Sempre quando os gregos
tinham problemas sérios, eles consultavam os deuses por meio dos oráculos, que
interpretavam para os seres humanos o que os deuses queriam. O mito possui três
funções principais: 1. Explicar – o presente é explicado por alguma ação que
aconteceu no passado, cujos efeitos não foram apagados pelo tempo, como por
exemplo, uma constelação existe porque, há muitos anos, crianças fugitivas e
famintas morreram na floresta, mas uma deusa levou-as para o céu e
transformou-as em estrelas; 2. Organizar – o mito organiza as relações sociais,
de modo a legitimar e determinar um sistema complexo de permissões e
proibições. O mito de Édipo existe em várias sociedades e tem a função de
garantir a proibição do incesto, por exemplo. O “castigo” destinado a quem não
obedecer às regras funciona como “intimidação” e garante a manutenção do mito; 3.
Compensar – o mito conta algo que aconteceu e não é mais possível de acontecer,
mas que serve tanto para compensar os humanos por alguma perda, como para
garantir-lhes que esse erro foi corrigido no presente, oferecendo uma visão
estabilizada da natureza e do meio que a cerca.
[2]
Antiga religião persa fundada no século VII a.C. por Zoroastro (ou Zaratustra),
caracterizada pelo dualismo ético, cósmico e teogônico que implica a luta
primordial entre dois deuses, representantes do bem e do mal, presentes e
atuantes em todos os elementos e esferas do universo, incluindo o âmbito da
subjetividade e das relações humanas [O zoroastrismo influenciou em diversos
aspectos doutrinários a tradição judaico-cristã. Zoroastro viveu na Ásia
Central, num território que compreendia o que é hoje a parte oriental do Irã e
a região ocidental do Afeganistão. Não
existe um consenso em torno do período em que viveu; os acadêmicos têm situado
a sua vida entre 1750 e 1 000 a.C. Sobre a sua vida, existem poucos dados
precisos, sendo as lacunas preenchidas por lendas. O principal documento que
nos permite conhecer a vida e o pensamento religioso de Zoroastro são os Gatas,
dezessete hinos compostos pelo próprio Zoroastro e que constituem a parte mais
importante do Avestá ou livro sagrado do zoroastrismo. A linguagem dos Gatas
assemelha-se à que é usada no Rigveda, o que situaria Zoroastro entre 1500-1
200 a.C. e não no século VI a.C. Vivia na Idade do Bronze, numa sociedade
dominada por uma aristocracia guerreira.
[3]
Maomé (Muhammad ibn Abdallah) nasceu em Meca, em torno de 570 d.C. Era
membro da tribo dos coraixitas, mas fazia parte de uma família empobrecida, os
haxemitas. Tornou-se comerciante e, desde pequeno, conviveu com pessoas de
diversas culturas. A tradição diz que somente ao se casar com uma viúva muito
rica (Khadija), Maomé pôde ter um conforto material. A partir de então, passou
a se retirar para as regiões montanhosas a fim de meditar sobre as diversas
culturas e religiões que conhecia. Conta-se que sempre teve um espírito
inquieto, era um grande observador, além de questionador.
[4] A Bíblia tem duas divisões principais. O Antigo Testamento é a primeira maior divisão da Bíblia cristã. O Novo Testamento é a segunda maior divisão; Deus não sofreu nem sombra de variação entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento. Ele permanece o mesmo; A Bíblia tem uma única mensagem, apesar de existirem dois testamentos; O Antigo Testamento não contradiz o Novo Testamento; O Antigo Testamento antecipa e anuncia os acontecimentos do Novo Testamento; O Antigo Testamento é um complemento do Novo Testamento (continuação da história da salvação); O Antigo Testamento é reinterpretado pelo Novo Testamento; O Novo Testamento tem o seu sentido, lucidez, clareza e significado encontrados no Antigo Testamento; O Antigo Testamento é o Novo Testamento escondido e o Novo Testamento é o Antigo Testamento revelado; A Bíblia é vista como um texto progressivo que evoluiu ao longo do tempo, portanto, o Novo Testamento é considerado baseado nos eventos, sistemas, pactos e promessas do Antigo Testamento (o Novo Testamento é uma evolução do Antigo Testamento). A humanidade não tinha maturidade para entender toda a revelação de Deus de uma só vez, motivo da revelação progressiva.
[5]
Em sânscrito, budi significa “acordar, observar, tornar-se consciente”. É essa
a principal filosofia que baseia o Budismo, quarta maior religião do mundo e
que surgiu na Índia há cerca de 2,5 mil anos. Baseada nos ensinamentos de
Siddhārtha Gautama, é uma religião não teísta, ou seja, não inclui a ideia de
uma deidade — um ou vários deuses. A essência dos ensinamentos de Buda são as
Quatro Nobres Verdades (a vida é sofrimento; o sofrimento é fruto do desejo; o
sofrimento acaba quando termina o desejo; e isso é alcançado quando se segue os
ensinamentos de Buda). A quarta Nobre Verdade se desdobra nos ensinamentos para
a libertação do sofrimento, conhecido como o Nobre Caminho Óctuplo.
[6]
Os judeus cultuam um único deus chamado Javé ou Jeová. Para o judaísmo, Deus é
um ser onipresente, onipotente e onisciente, que criou e influencia todo o
universo, e se comunica com o seu povo através de profetas. O símbolo sagrado
do judaísmo é o Menorá, candelabro com sete braços. Seu livro sagrado é a Torá e
se baseia em três pilares de fé que são representadas por palavras hebraicas: Teshuvá
– significa arrependimento e retorno às origens quando se comete algum erro; Tefilá
– significa prece e ligação com Deus; Tsedacá – significa caridade
no sentido de justiça. As crenças do judaísmo se diferenciam quanto às formas
de ler e interpretar as leis judaicas. As tradições religiosas dentro das
ramificações judaicas são: Judaísmo Ortodoxo, Judaísmo Conservador, Judaísmo
Reformista, Judaísmo Reconstrucionista e Judaísmo Humanista.
[7]
O idioma litúrgico é o hebraico, com o qual se dirigem à entidade absoluta do
judaísmo, Javé ou Jeová, criador onipotente, onisciente, onipresente de tudo o
que existe. Alguns dos sacramentos judaicos são:
a Circuncisão (Brit milá),
realizadas nos recém-nascidos do sexo masculino; o Rito de Passagem à
Maioridade (B'nai Mitzvá); o Casamento e o Luto (Shiv'á).
[8]
Deuteronômio deriva de uma palavra grega e significa “segunda lei”. ... Durante
a restauração do templo de Jerusalém, o sacerdote Helcias encontra (por volta
de 620) o “livro da lei”. Esse “livro da lei” é considerado o primeiro esboço
do Deuteronômio. O livro está dividido em três sermões ou homilias proferidas
aos israelitas por Moisés na planície de Moabe pouco antes da entrada na Terra
Prometida. O primeiro recapitula os quarenta anos vagando pelo deserto que
culminaram naquele momento e termina com uma exortação para que se observe a
lei, mais tarde conhecida como Lei Mosaica. O segundo relembra os israelitas da
necessidade do monoteísmo e da observância das leis que Deus lhes entregou no
monte Sinai, da qual depende a posse da terra que irão conquistar. O terceiro
oferece o consolo de que, mesmo que Israel se mostre infiel – e, por isso,
perca a terra –, com o arrependimento, tudo poderá ser restaurado.
[9]
Um judeu não precisa, necessariamente, seguir o judaísmo, mas o judaísmo só
pode ser praticado por judeus; o judaísmo não é uma religião de conversão;
atualmente, a tradição judaica respeita a pluralidade religiosa desde que não
venha ferir os mandamentos do judaísmo; o judaísmo é uma religião matriarcal,
então todo filho de mãe judia é considerado judeu. Os homens judeus usam uma
espécie de touca, chamada kipá, que representa o respeito a Deus no momento das
orações.
[10] O Antigo Testamento dá os mandamentos e relaciona bênçãos e maldições, enquanto o Novo Testamento esclarece que Deus concedeu os preciosos mandamentos como se referindo a uma necessidade de salvação e nunca a meios de salvação somente.
[11]
O judaísmo foi fundado por Abraão no século XVIII a.C. A religião se
desenvolveu com a civilização hebraica, através de Moisés, Davi e Salomão. Na
visão judaica, Deus é o criador do universo e é quem influencia a sociedade
humana. Os judeus seguem os ensinamentos da Torá e da Bíblia Hebraica. Segundo
a tradição judaica, a Torá teria sido escrito por Deus e nunca deve ser
modificado. Para eles, o judeu pertence a uma linhagem com um pacto eterno com
esse Deus.
Diversas tradições e
doutrinas do judaísmo são criadas e desenvolvidas com o passar do tempo. Essas
tradições são seguidas de acordo com a interpretação de cada ramificação
judaica. Entre as tradições mais conhecidas estão o uso de objetos religiosos,
os costumes alimentares e culturais, além do uso hebraico como língua
litúrgica. Definidos como um grupo etnorreligioso, eles se consideram membros
da tribo de Judá e são chamados de povo escolhido de Deus. Para a tradição
judaica, todos os judeus são descendentes diretos dos primeiros judeus: Abraão,
Isaac e Jacó.
[12] Na realidade, esta iniciação deve se dar desde a mais tenra idade, pela repetição de alguns versículos bíblicos, cabendo ao pai a responsabilidade por esta tarefa. Em seguida, a criança de três anos é encaminhada ao Heder, instituição característica da educação judaica tradicional neste europeu, destinada a ensinar às crianças a prática religiosa judaica e da língua hebraica. A partir da idade de seis ou sete anos, este estudo poderá ser confiado a um professor, que receberá remuneração por seu trabalho. Em toda cidade deverá haver um professor de crianças, cuja importância equivale à de um médico, assim como de uma sinagoga e de um tribunal rabínico, sob pena de ser colocada no ostracismo. Finalmente, as crianças não devem interromper os estudos por motivo algum, por mais importante que este possa ser. Estudar a Torá representa usar a sabedoria e a inteligência com a finalidade de levar uma vida digna e justa. Envolve o cumprimento, a ação, a prática da vontade de Deus, em que a fé e a Lei devem caminhar em perfeita sintonia. A prática da educação no judaísmo, entretanto, vai além do puro e simples acompanhamento dos princípios religiosos judaicos. Ela visa ao desenvolvimento do ser humano como um todo, em suas facetas intelectual, emocional, comportamental e moral, e propõe uma prática voltada a todas as atitudes do indivíduo, no seu dia a dia, desde as mais simples até aquelas consideradas mais complexas e difíceis de lidar.
[13]
Zeus deus dos trovões, senhor do Olimpo, era filho de Cronos e Réia. Cronos
tinha o hábito de devorar seus próprios filhos para que não tomassem seu lugar
no trono. Até que Zeus nasceu e sua mãe Réia já cansada de tanto sangue e
sofrimento deu a Cronos uma pedra embrulhada no lugar de Zeus, salvando sua
vida. Zeus era filho de Cronos, o mais forte dos titãs, que se casou com sua
irmã Réia. Tiveram muitos filhos: Zeus, Poseidon, Hades (Plutão), Hera, Héstia
e Deméter. Temendo a rivalidade de seus filhos, orientado por Gaia (mãe terra)
e Urano (céu), Cronos devorou-os logo ao nascer, exceto Zeus, que quando estava
para nascer Réia procurou Gaia que concebeu um plano para salvá-lo. Zeus nasceu
na ilha de Creta e Réia entregou uma pedra enrolada em roupas de bebê que Crono
engoliu. Zeus foi criado na caverna no monte Ida, aos cuidados de Gaia. Quando
se tornou adulto, Zeus derrotou o pai e o obrigou a ressuscitar seus irmãos.
Libertou também os ciclopes da tirania de Cronos e eles em recompensa deram-lhe
as armas do trovão e do relâmpago.
[14]
Ícaro era filho de Dédalo, o genial arquiteto e inventor que trabalhava para o
Rei Minos, na Ilha de Creta. Foi Dédalo
quem projetou o labirinto onde vivia o temível Minotauro, e foi também ele quem
ensinou a Princesa Ariadne como ajudar Teseu a entrar e sair do labirinto sem
se perder em seus corredores. Ícaro (em grego: Ἴκαρος, transl.: Íkaros; em
latim: Icarus; em etrusco Vikare), na mitologia grega, era o filho de
Dédalo e é comumente conhecido pela sua tentativa de deixar Creta voando —
tentativa frustrada em uma queda que culminou na sua morte nas águas do mar
Egeu, mais propriamente na parte conhecida como mar Icário. Ícaro era filho de
Dédalo e de uma escrava de Perséfone (deusa das ervas, flores, frutos e
perfume). Dédalo, expulso por matar o seu sobrinho Perdix, refugiou-se na ilha
de Creta, juntamente ao rei Minos. Após
o nascimento de Minotauro, fruto dos amores entre Pasífae (mulher de Minos) e
um touro divino, ele e o seu filho Ícaro construíram o labirinto do Minotauro,
no qual aprisionaram o monstro. Tempos depois, o Minotauro foi morto por Teseu.
os gregos antigos passavam ensinamentos através de lendas e mitos. A lenda de Ícaro, era contada,
principalmente, para ensinar a importância da humildade após um êxito (vitória)
e também de seguir as orientações dos mais experientes (no caso desse mito é
Dédalo, seu pai). O mito também faz
referência sobre a impossibilidade de um ser humano querer ter poderes
semelhantes aos dos deuses.
[15]
Apolo, o deus do Sol nas mitologias grega e romana. Filho de Zeus, o deus
supremo da mitologia grega, Apolo é o deus do Sol, e por isso também é o deus
do calor e da claridade. Por ser também o deus da beleza, ele é o patrono das
artes: da música, da pintura e da poesia. Apolo é um dos deuses do panteão
grego, filho de Zeus e Leto e irmão gêmeo de Ártemis, também representação da
Lua. É apresentado como um homem belo, geralmente segurando uma lira ou um arco
e algumas vezes com uma coroa de raios solares na cabeça, também sobre uma carruagem
puxada por cavalos. Apolo foi um dos mais importantes deuses da Grécia Antiga,
sendo conhecido como deus do Sol, das artes, da música, da profecia, medicina
etc. Era filho de Zeus com Leto e era conhecido por sua beleza e por ser um
exímio arqueiro
[16]
A Ilíada narra o nono ano da Guerra de Troia, travada entre gregos e troianos.
Segundo a lenda, a guerra teve início quando a rainha Helena (mulher de
Menelau), rei de Esparta, foi raptada por Páris (filho do rei Príamo), de
Troia. Repele os troianos, mas é morto por Heitor, filho de Príamo, rei de
Troia. A Ilíada descreve os acontecimentos do último ano da guerra que, segundo
a tradição, teria durado dez anos, até a Grécia derrotar Troia. O poema mistura
acontecimentos da época e fatos de períodos posteriores, que não puderam ser
comprovados pelos historiadores. Composta por mais de 15 mil versos, divididos
em 24 livros (cantos) de extensão variada. A história cobre 54 (cinquenta e
quatro) dias do conflito.
[17]
Ponto mais alto da Grécia, o Monte Olimpo tem quase 3 mil metros e altura e era
considerado lar dos principais deuses da mitologia. De acordo com a mitologia
grega, o Monte Olimpo era a casa dos deuses. Por outro lado, o Monte Olimpo é
um lugar real. É o ponto mais alto da Grécia, com 2.917 m de altitude. O monte
Olimpo (em grego: Όλυμπος; romaniz.:
Ólympos, ou όρος Όλυμπος, também transliterado como óros
Ólympos em mapas modernos) é a mais alta montanha da Grécia, com 2 917
metros de altitude máxima e 2 355 m de proeminência topográfica. É uma das mais
altas montanhas da Grécia, em altitude absoluta da base até o topo. Está
situado a cerca de 100 km de distância de Salonica, a segunda maior cidade da
Grécia, próximo do mar Egeu, na região da Tessália. O seu ponto mais alto é
designado Miticas (Μύτικας, Mýtikas) e ele é reconhecido pela sua flora,
a qual é muito rica, sobretudo devido à presença de espécies endêmicas.
[18]
O termo ctônico é relativo à terra, terreno e refere-se aos deuses ou espíritos
do mundo subterrâneo, por oposição às divindades olímpicas. Por vezes, são
chamados de telúricos, do latim tellus.
Divindade da terra" têm implicações mais amplas, os termos khthonie
e khthonios têm um significado mais técnico e preciso em grego,
referindo-se antes de mais nada à forma como se ofereciam sacrifícios ao deus
em questão. No culto ctónico típico, animal vítima era massacrado num botro
(βοθρος, "poço") ou mégaro (μεγαρον, "câmara
afundada"). No culto aos deuses olimpianos, pelo contrário, a vítima era
sacrificada sobre um bomos (βομος, "altar") elevado. As divindades ctónicas também tendiam a
preferir as vítimas negras sobre as brancas, e as oferendas eram normalmente
queimadas inteiras ou enterradas em vez de ser cozinhadas e repartidas entre os
devotos. Ainda que os deuses e deusas ctónicos tivessem uma relação genérica
com a fertilidade, não tinham um monopólio sobre esta, nem eram os deuses
olímpicos totalmente indiferentes à prosperidade da terra. Assim, ainda que
tanto Deméter como Perséfone cuidassem de vários aspectos da fertilidade da
terra, Deméter tinha um culto tipicamente olímpico enquanto o de Perséfone era
ctónico. Têmis (deusa), Moiras (vi
[19]
A mulher oficial de Zeus, conquista do seu terceiro casamento, Hera, deusa do
casamento e do parto, era rainha dos Olímpicos. Tinha muito ciúmes do marido e
se vingava das rivais, entre elas Sêmele, Leto e Io, e dos filhos delas. Todos
sofreram muito devido aos ciúmes de Hera. Os gregos chamavam o casamento de
Hera com Zeus de Casamento Sagrado, o que mostra a importância que atribuíam à
união entre homens e mulheres. Hera é irmã e esposa de Zeus, filha de Cronos e
Réia. É a deusa protetora do casamento, da fidelidade, das crianças e das
mulheres casadas. Segundo a lenda, Zeus conquistou Hera na forma de um cuco. Em
um dia chuvoso, a deusa concedeu àquela pequena ave abrigo entre os seios, sem
saber que era Zeus disfarçado. Ela ficou completamente encantada com o pássaro
e consequentemente com o deus supremo. Mesmo assim ela não cedeu tão fácil às
investidas do deus sedutor e demorou 300 anos para aceitar o noivado. Como
presente de casamento, Gaia deu a Hera algumas maçãs de ouro. A deusa achou as
frutas muito belas e decidiu plantá-las em seu quintal, dando origem ao famoso
Jardim das Hespérides. As maçãs douradas que nasciam nesse jardim eram fontes
de juventude eterna.
[20] Os piores castigos da mitologia grega: 1 – A roda de Íxion. Íxion era mau! De tão perverso que construiu uma câmara incendiária e a decorou como se fosse um cômodo de sua casa. E, certo dia convidou se sogro e, durante seu sono acionou a câmara e incinerou Dioneu, seu sogro. Os gritos eram tão aterrorizantes que Íxion chegou a se arrepender. Zeus apiedou-se com o sofrimento de Íxion arrependido e o convidou para um banquete. Sentado ao lado dos deuses, o rapaz encantou-se com a beleza de Hera e, com seu pé, passou a acariciar as pernas da deusa por baixo da mesa. Obviamente que a esposa fiel contou ao marido. Íxion não teve segunda chance! Zeus o fulminou com um raio e o precipitou no Tártaro. 2 – O suplício de Tântalo. Tântalo, rei da Frígia, era filho de Zeus, mas isso não o livrou de um dos piores castigos da mitologia grega. Ele era sedento por poder e descrito como um dos homens mais interesseiros do mundo. Mesmo assim, por ser filho do deus supremo, era bastante querido no recinto dos olimpianos. O rei era constantemente convidado ao Olimpo para banquetear com os deuses. Aproveitando-se dessa empatia, com a intenção de tornar-se “quase um deus”, roubou e alimentou-se do néctar e da ambrosia, substâncias que garantiam a imortalidade dos deuses. Considerando-se agora um ser supremo, foi a vez dele convidar as divindades para um baquete em seu palácio. Como refeição serviu seu filho, Pélops. Apenas Deméter aceitou e comeu o ombro do rapaz esquartejado. Os outros deuses sentiram-se afrontados! Irados, lançaram Tântalo em um lago no Tártaro. Como castigo, ele não podia mais se alimentar. Mesmo rodeado de água até o pescoço e de vegetação, ele não podia alcançá-los. Quando tentava beber a água do lago, ela baixava o nível ficando sempre longe de sua boca. Ao tentar pegar frutos, os galhos das árvores estendiam-se para fora do alcance de seus braços. Assim, Tântalo sofreu eternamente sem poder comer ou beber. 3 – O labor de Sísifo. Sísifo, rei de Corinto, já foi considerado o “cara mais esperto do mundo”. Era tão astuto que certa vez conseguiu enganar Tânato, a Morte. Ao adentrar no palácio de Corinto, Sísifo foi surpreendido por Tânato, que veio buscá-lo a mando de Zeus. Sagaz, o rapaz começou a elogiar o “senhor da morte”, o qual não estava acostumado com aquele tipo de tratamento. Assim sendo, a criatura aceitou alguns mimos de Sísifo, dos quais incluíam pulseiras e colares. Mal sabia Tânato que um dos colares era, na verdade, uma coleira encantada. O anjo perverso fora aprisionado! Com o sumiço de Tânato, marcou-se um período em que as pessoas não morriam mais. Enfurecidos, Hades e Ares, por perderem as mortes nas guerras e as almas no submundo, invadiram o recinto de Sísifo, libertaram Tânato e levaram o rei para o Tártaro. Como castigo, o infortunado foi obrigado a empurrar uma pedra até o topo de uma das montanhas do submundo, sendo que toda vez que estava chegando ao extremo do monte, a rocha rolava novamente ao ponto de partida, tornando, assim, o labor de Sísifo uma punição eterna.

