Crimes com arma branca aumentaram, diz pesquisa
As facas (16%) e as agressões (10%) são mais recorrentes nos homicídios, segundo pesquisa
Depois de mais de uma década de homicídios em queda em São Paulo, mudou o perfil dos assassinatos na capital paulista. A vingança, que nos anos 1990 e 2000 era o motivo principal das mortes, perdeu a relevância.
Atualmente, as discussões são a razão principal dos homicídios - em 13% dos casos. Um dos dados preocupantes é que 19% das mortes têm indícios de execução, crimes normalmente premeditados e planejados.
Nos dias de hoje, aumentou a proporção de mulheres assassinadas (11,3%) e diminuiu a fatia dos que morrem por arma de fogo (61%). As facas (16%) e as agressões (10%) são mais recorrentes. Esses são alguns dos dados de estudo do Instituto Sou da Paz, que analisou 1.777 boletins de ocorrências de homicídios ocorridos em São Paulo entre 1.º de janeiro do ano passado e 30 de junho deste ano.
"Os homicídios caíram muito na década passada e, por isso, é necessário uma melhor compreensão do tipo de homicídio nos dias de hoje", analisa a pesquisadora Lígia Rechenberg, do Instituto Sou da Paz.
No auge da epidemia, ao longo dos anos 1990 e começo dos 2000, a rivalidade entre moradores de bairros de periferias provocava longos círculos de vingança.
Um homicídio podia provocar a reação de amigos e parentes da vítima, levando a novos ataques contra os suspeitos da autoria do crime. Essa lógica da vendetta provocava novas rixas e assassinatos, que vitimaram principalmente jovens com menos de 30 anos.
Essa engrenagem de vinganças aparecia nos levantamentos da época. O Anuário da Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), por exemplo, com base em boletins de ocorrência de 2003, apontou que 28% das mortes naquele ano ocorreram por vingança. As drogas (tráfico e rixas) e as brigas por motivos fúteis (12%) vêm em seguida.
