Emoção marca eleição dos novos dirigentes do TST
Ministro Vantuil Abdala reafirmou a importância de o TST permanecer unido no momento em que o Brasil ainda convive com exemplos clássicos de desrespeito à dignidade humana como a exploração do trabalho escravo e do trabalho infantil.
O presidente eleito do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Vantuil Abdala, reafirmou hoje (10), ao agradecer a votação unânime que recebeu, a importância de o TST permanecer unido no momento em que o Brasil ainda convive com exemplos clássicos de desrespeito à dignidade humana como a exploração do trabalho escravo e do trabalho infantil. "A importância do TST fica ainda mais realçada neste momento, quando é preciso dar as mãos nessa luta. Daremos continuidade ao trabalho do ministro Francisco Fausto, que tanto fez pelos trabalhadores", afirmou Abdala, emocionado.
Os ministros Vantuil Abdala, Ronaldo Lopes Leal e Rider de Brito irão dirigir o TST no biênio 2004/2006. A posse ocorrerá no próximo dia 14 de abril, às 17h. Para surpresa dos presentes, o protocolo foi quebrado pelo discurso de saudação ao eleitos, que agradeceram individualmente, apesar de não haver previsão para tanto. Ao saudar os eleitos em nome da Corte, o ministro João Oreste Dalazen afirmou que a eleição unânime da nova direção retrata o clima de cordialidade, concórdia e harmonia e representa uma preocupação com o interesse público. Dalazen registrou a origem dos novos dirigentes, todos oriundos da magistratura trabalhista.
"Manifesto o nosso reconhecimento e a nossa certeza de que os eleitos à frente do Tribunal irão realizar uma administração profícua, à altura de seus currículos. Suceder o ministro Francisco Fausto não será tarefa fácil", alertou Dalazen, acrescentando que o atual presidente do TST "resgatou os princípios mais caros que norteiam o Direito do Trabalho", realizando uma das administrações "mais fecundas e marcantes" que o TST já teve.
Emocionado, o presidente eleito Vantuil Abdala agradeceu o apoio de todos, reafirmando sua credibilidade e sua confiança na Justiça do Trabalho. "Repito uma frase de Calamandrei dita por mim quando tomei posse no TRT de São Paulo " "A Justiça é tal como a divindade, só se manifesta para os que nela crêem". E eu acredito muito na Justiça do Trabalho", disse Vantuil Abdala.
A procuradora geral do Ministério Público do Trabalho, Sandra Lia Simon, que participou da sessão do Pleno do TST e realizou a contagem dos votos, desejou sucesso aos novos dirigentes do Tribunal, principalmente no momento em que o Brasil discute a reforma da legislação trabalhista. Sandra Lia reafirmou a confiança do Ministério Público do Trabalho na gestão do futuro presidente do TST, principalmente devido à sua vivência na região mais industrializada do País, o ABC paulista.
O vice-presidente eleito, ministro Ronaldo Lopes Leal, afirmou que o TST vive um novo tempo. "O TST é um novo Tribunal, pois se mostra mais afinado com a realidade social e com o anseio da população, que espera de nós uma prestação jurisdicional cuidadosa, voltada para o social", disse. Segundo Leal, a gestão Francisco Fausto "vai ficar na história do TST pois fincou a diretriz de ir ao encontro da população desvalida desse País". Antes de assumir a Vice-Presidência do TST, o atual corregedor terá completado a inspeção de todos os TRTs do País. O último a ser correicionado pelo ministro Ronaldo Leal será o TRT de Santa Catarina (12ª Região).
O corregedor geral eleito, ministro Rider de Brito, ao registrar que a quebra do protocolo estava sendo positiva, agradeceu os gestos de admiração e respeito, afirmando que a serenidade da eleição no TST deve servir de exemplo para todas as Cortes judiciárias do País. "As disputas fratricidas somente nos enfraquecem. Os homens devem ser capazes de esperar seus momentos próprios", recomendou. Segundo Rider de Brito, no caso do TST, as sucessões nos cargos de direção têm sido sempre positivas.
Falando em nome da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Associação Brasileira dos Advogados Trabalhistas (Abrat), o advogado Roberto Caldas registrou "a força da tradição e a harmonia de pensamento" que reinam no TST como aspectos positivos. ?Este Tribunal Superior do Trabalho tem a importante missão de não só colmatar os conflitos sociais postos nos processos mas de pensar conjuntamente as políticas públicas, juntamente com outros Poderes da República?, afirmou Caldas.
O advogado manifestou ainda o reconhecimento da classe ao que ele chamou de "Era Fausto". "O ministro Francisco Fausto conseguiu conjuminar a sua experiência e o seu saber jurídico com a humanidade que tem dentro de si e que contamina todos nós", concluiu, lembrando a atuação do atual presidente do TST no combate ao trabalho escravo no Brasil. Antes de declarar encerrada a sessão do Pleno, o ministro Francisco Fausto saudou os eleitos e agradeceu as referências elogiosas. "Embora reconheça que começou de minha parte a cerimônia do adeus, deixarei para agradecer todas as homenagens oportunamente", finalizou.
