Motorista de Camaro que causou acidentes com morte em SP vai a júri
Estudante responde em liberdade por assassinato e tentativas de homicídio. Defesa nega que ele guiava embriagado a 123 km/h em setembro de 2011
Quase um ano depois dos crimes, a Justiça de São Paulo decidiu mandar a júri popular o estudante F.L.I.A. pelas acusações de dirigir embriagado e em velocidade acima da permitida. Ele conduzia um Chevrolet Camaro em setembro de 2011 quando causou uma série de acidentes, nz Zona Oeste da capital - uma pessoa morreu.
O jovem, que tinha 19 anos à época, responde ao processo em liberdade. A data do julgamento ainda não havia sido marcada pelo juiz José Augusto Nardy Marzagão, da 2ª Vara do Júri do Fórum de Santana, até esta terça-feira (4). Cabe recurso da decisão.
O G1 não conseguiu localizar na manhã desta quarta (5) os advogados de defesa do réu para comentarem o assunto. Nilza das Graças Socorro, viúva do motorista Edson Roberto Domingues, morto no acidente, comemorou a decisão da Justiça de submter o acusado a júri.
De acordo com a sentença do magistrado, redigida no final do mês passado, F.L.I.A. será julgado pela sociedade por assassinato e pelas tentativas de homicídio de outras três pessoas.
Segundo a denúncia que havia sido feita pelo Ministério Público, no dia 25 de setembro de 2011, F.L.I.A. ganhou o Camaro, avaliado em cerca de R$ 200 mil, de presente de seu pai, o vereador M.A. (PMDB), de Embu das Artes, na Grande São Paulo. Cinco dias depois, o estudante foi até a casa de shows Villa Country, Zona Oeste da capital, onde ingeriu bebida alcoólica. Ele deixou o local na direção do veículo importado.
No dia 30 de setembro de 2011, após sair da casa noturna, F.L.I.A. bateu o Camaro em outros cinco veículos, matando o motorista de uma perua e ferindo três pessoas de um outro automóvel. Segundo os peritos do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Técnico-Científica, o estudante estava bêbado e dirigia o carro a 123 km/h numa via onde a velocidade máxima permitida é de 60 km/h.
Ainda segunda a Promotoria, por volta das 6h15 do dia 30 de setembro, F.L.I.A. subiu com o Camaro na calçada da Rua Francisco Matarazzo, em Perdizes. Nos dez minutos seguintes, o motorista começou a provocar acidentes na Avenida Sumaré. Em alta velocidade, segundo o relato de testemunhas, ele invadiu a faixa exclusiva para motociclistas na via e bateu na lateral de um Ford Fiesta, conduzido por um homem que não se machucou na colisão. Depois, o carro importado de F.L.I.A. esbarrou num Vectra GT, não ferindo o condutor.
O promotor André Luiz Bogado Cunha ainda escreveu na denúncia que o estudante colidiu o Camaro num Volkswagem Fox estacionado, onde estava uma mulher, que não se feriu, na Avenida Pompéia.
Perto das 7h, F.L.I.A. atingiu outros dois veículos que estavam parados na Avenida Inajar de Souza, na Freguesia do Ó, na Zona Norte, à espera do sinal verde do semáforo. O Camaro bateu na traseira do Asia Towner Truck, guiado por Edson Roberto Domingues, de 55 anos. Com o impacto da colisão, a perua pegou fogo e o incêndio queimou 90% do corpo do motorista. Edson morreu no dia 4 de outubro no hospital onde ficou internado.
Por conta da alta velocidade, o Camaro ainda colidiu com um Fiat Palio, ferindo os três ocupantes do automóvel, dois homens e uma mulher que sobreviveram. Após as batidas, F.L.I.A. fugiu do local sem prestar qualquer tipo de auxílio ou socorro às vítimas, segundo o MP.
Prisão
O estudante chegou a ficar preso por três dias e foi solto no dia 3 de outubro após sua família vender um imóvel para pagar R$ 245 mil de fiança. A Justiça determinou ainda que ele não saia de casa aos finais de semana e também não ingira bebidas alcoólicas. Se descumprir a ordem será preso novamente.
“Esta é uma decisão importante, pois o Caso Camaro, que ocorreu há menos de um ano foi o primeiro de uma série de mortes causadas por motoristas embriagados, e que chamou a atenção da imprensa do país todo. Isso gerou grande discussão até mesmo no Congresso Nacional, que fez um projeto de lei alterando várias coisas no Código de Trânsito”, disse o promotor André Cunha nesta quarta-feira.
'Justiça'
A empregada doméstica N.G.S., de 63 anos, estava casada há cinco anos com o motorista E.R.D.. Nesta manhã, ela comemorou a decisão da Justiça de submeter o motorista do Camaro a júri. “Agora é que a Justiça começará a ser feita. Quem matou meu marido tem de pagar pelo que fez”, disse Nilza. "Éramos felizes e veio alguém que tirou a minha felicidade. Não tínhamos filhos, mas tínhamos sonhos que jamais irão se realizar".
O que diz a defesa
