STJ aprova filtro para barrar julgamento de processos
Tribunal terá mais tempo para analisar os casos que realmente interferem na vida do cidadão
A enxurrada de recursos que chega diariamente ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pode estar com os dias contados. Os ministros aprovaram, na segunda-feira (5/03), um anteprojeto de lei que barra a subida de processos pouco significantes para a corte. Caso a medida seja aprovada no Legislativo, o tribunal terá mais tempo para analisar os casos que realmente interferem na vida do cidadão e para firmar teses que devem ser seguidas nas instâncias inferiores.
A intenção é ter o mesmo modelo usado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2007, que resultou em uma queda de 76% no número de processos da Suprema Corte. Chamada "repercussão geral", a ferramenta permite que os ministros do STF escolham previamente, em votação virtual, os casos que irão julgar nas sessões plenárias seguindo critérios de relevância social, política e econômica.
O texto aprovado hoje pelo STJ segue agora para o Executivo, que deverá encaminhar a proposta para o Congresso Nacional. Segundo o presidente do STJ, Ari Pargendler, a proposta já tem a simpatia do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.
Para que a mudança entre em vigor, são necessárias duas intervenções do Congresso Nacional – uma emenda à Constituição permitindo que o STJ tenha esse filtro, e uma lei para estabelecer quais serão os critérios de pré-seleção. O presidente da comissão que estudou o assunto no STJ, ministro Teori Zavascki, disse que os ministros estão confiantes no apoio do Congresso Nacional.
“Quem conhece os problemas do STJ e quem já se familiarizou com o resultado obtido no STF está do nosso lado”, disse o ministro em entrevista à Agência Brasil. A proposta de levar o filtro para o STJ é contemporânea ao movimento pró-repercussão geral no STF, mas os parlamentares optaram por contemplar apenas a Suprema Corte com a Reforma do Judiciário de 2004.
Zavascki acredita que até mesmo os advogados - que em tese poderiam ficar descontentes com a eliminação de uma instância de apelação - deverão apoiar a proposta, já que os casos mais urgentes e com chances de vitória serão julgados mais rapidamente. Por mais que trabalhe, o STJ está sempre em débito com a sociedade: em 2011, foram analisados 317,1 mil processos, mas a corte terminou o ano com um estoque de 235.466 casos para julgar.
No ano passado, o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, chegou a propor que o número de ministros do STJ passasse de 33 para 66, alegando que o tribunal não estava dando conta do elevado número de processos. Em sua justificativa, o ministro lembrou que o tipo de ação mais urgente da Justiça – o habeas corpus, usado para soltar pessoas presas injustamente – estava demorando mais de um ano para ser analisado no STJ.
De acordo com Zavascki, outra proposta em análise deve atingir ministros que desempenham funções especiais na corte. Atualmente, quatro ministros do STJ são poupados de receber o volume normal de processos percebidos dos demais membros: o presidente, o vice-presidente, o corregedor do Conselho Nacional de Justiça e o corregedor do Conselho da Justiça Federal.
“Temos que resolver esse problema que apareceu no STJ com a criação do cargo de corregedor-geral de Justiça. Isso desfalcou o STJ de um ministro, uma das turmas de julgamento sempre fica com um ministro a menos. A ideia inicial da comissão seria unificar na figura do vice-presidente a função de corregedor-geral”, explicou Zavascki.

Jorge Henrique Elias Advogado e Professor universitário06/03/2012 21:42
É... Trata-se de um tema que merece muita reflexão e amadurecimento!!!
VANESSA ADVOGADA06/03/2012 22:18
Deve-se analisar com muita cautela a constitucionalidade da lei.
Jader de Souza Santos Junior Tecnico Judiciario06/03/2012 22:22
O problema do judiciario brasileiro não esta nesta ferramentas, e sim na venda de sentenças, falta de servidores, ou seja o que a gente ja conhece. se for como disse o Jorge Henrique Elias, estudado amadurecido, analizado os prós e os contras , acredito que ira melhorar
Jader de Souza Santos Junior Tecnico Judiciario 06/03/2012 22:24
DIGO \\\" nestas ferramentas\\\"
Carlos Professor, aposentado.07/03/2012 2:07
CORRETO. Residia de aluguel. Comprei dois apartamentos na época do BNH. Separei-me judiciialmente, depois divorciei-me, já residindo num apartamentos comprados para fugir do aluguel. Fui condenado por ABANDONO DO LAR. Nem a carta de prório punho da ex- dizendo que não queria residir no imõvel, valeram de nada. Recorri ao TJ/RJ e STF... perdi. Mesmo havendo um ação própria de \\\"alimentos\\\", com sentença transitada em julgado, a juíza que prolatou a sentença do divórcio, digo, (in)justiça ainda me condenou a pagar 40%, quando era 25% . Indignado...
aftre Estudante07/03/2012 4:34
Acredito tal filtro servirá de certa forma para que o STJ preste melhor serviço a sociedade
Gilmar advogado07/03/2012 11:16
Pura malandragem: ao invés de se investir no Poder Judiciário e fazê-lo trabalhar, se afigurou mais fácil e menos oneroso simplesmente barrar a subida de recursos, criando impecilhos às modificações de interpretações da lei e entendimentos anteriores e estagnando jurisprudências díspares nos Tribunais Estaduais. Não vai dar certo.
Ivan Caixeta Advogado07/03/2012 12:36
Aos poucos estão empurrando para a sociedade a conta da incompetência gerencial da Administração Pública Mais especificamente a Administração da Justiça. Interessante que quando uma empresa está mal ela só tem uma alternativa para não sucumbir: tornar-se competente. A estrutura da Justiça deve ser gerenciada com competência e, sobretudo com observância da Lei Maior. Suprir instância ou grau de jurisdição por incompetência e conveniência nos parece fora do razoável.
www.linsvitorio.jur.adv.br advogado07/03/2012 14:20
Fere o princípio da Inafastabilidade do Poder Judiciáario, ond eja se viu o tribunal do cidadão filtrar o acesso do povo ao Poder Judiciário, onde nós chegamos, nem mesmo nossas lametações serão mais ouvidas pelo Poder Publico, a quem recorrer? ao Tribunal das Nações Unidas/OEA, isso viola direitos humanos e cponstitucionais do amplo acesso a justiça, pois ouvir o pronunciamento da Justiça é direito inalienável. Não concordo, já basta o Supremo com sua repercussão geral.
Fernandes Lorenzini advogado07/03/2012 21:15
...E O JUDICIÁRIO ESTÁ CADA VEZ MAIS DISTANTE DA POPULAÇÃO.... Até o Ministro Jorge Mussi, \\\"se deu conta\\\" de que a população está perdendo a paciência com o Judici[ario (veja-se a matéria no ´roprio site do STJ como título:Jorge Mussi: a sociedade está perdendo a paciência com o Judiciário\\\". Enqaunto isso, a violÊncia cresce, os conflitos sociais também e o judiciário já sentiu o peso de suas responsabilidades e já demonstra \\\"medo\\\" de que essa \\\"violência, possa chegar Às autoridades judiciárias. JÁ EXISTEM AS PORTAS MAGNÉTICAS (TIPO PORTAS DE BANCO), E GRANDE ESQUEMA DE SEGURANÇA PARA TENTAR IMPEDIR QUE A VIOLÊNCIA ENTRE NOS TRIBUNAIS.... é esperar prá ver mais.....
Paulo de Jesus advogado08/03/2012 11:57
Concordo em parte com o Ministro, porém este, esse famoso filtro, vem ultrajar a propria Constituição e o direito do cidadão em de ser reconhecido o duplo grau de jurisdição, ferindo o pricipio da inafastabilidade do Judiciário